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O Pas De Deux Brasileiro: Arte E Inclusão Social

O pas de deux brasileiro: arte e inclusão social

Jorge Texeira tem aquela informalidade de quem sabe que a moeda corrente da vida é a generosidade. Seu trabalho à frente da Companhia Brasileira de Ballet é um exercício que vai muito além da formação de novos bailarinos. Alcança a cidadania através de uma articulação social e pedagógica que capacita crianças e jovens para uma agenda brasileira positiva. Dentro da pauta está a inclusão social tanto de novos talentos como de um público pouco articulado com o repertório do balé clássico. Quem aceita o convite para dançar ou para ocupar a plateia se surpreende com a qualidade do nível dos espetáculos, produzidos por uma equipe de professores, técnicos e corpo de baile com merecido reconhecimento no circuito da dança. A CBB também é conhecida como um celeiro de bailarinos para outras companhias brasileiras. “Hoje, três dos primeiros bailarinos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro passaram pela nossa escola, bem como outros quatro que atuam na Cia. Deborah Colker, além dos que estão na Cia. de Ballet da Cidade de Niterói ou no exterior”. A parceria com a Dell’arte possibilitou que a Companhia usufruisse do apoio das Leis de incentivo à cultura, preservando o compromisso original do projeto de acolher novos talentos. Desde a retomada das atividades, há quinze anos, já com a direção de Jorge Texeira – o projeto inicial foi idealizado pelo industrial Paulo Ferraz e a bailarina Regina Ferraz, no final da década de 1960 – o fomento tem sido o responsável pela saúde financeira do grupo. Para além desses recursos, o diretor e coreógrafo carioca destaca o intercâmbio com grandes companhias como outro ponto estratégico para a capacitação dos alunos. Participações em apresentações do Kirov e do Bolshoi, no Brasil, proporcionaram o contato direto com uma gama extraordinária de todos os tipos de profissionais envolvidos com o palco. É possível relembrar também a oportunidade de parcerias com: Ana Botafogo, Áurea Hammerly, Cecília Kerche, Cláudia Motta e Marcelo Misailidis, todos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Marianela Nuñez, Roberta Marques e Thiago Soares, do Royal Ballet, Renata Pavan e Herman Cornejo, do American Ballet Theatre, Vitor Luís e Lorena Feijoo, do San Francisco Ballet, Juan Pablo Ledo, do Teatro Colón, Aidos Zakan, do Ballet Teatro Michailov, e Rolando Sarabia numa coprodução do Ballet Don Quixote junto ao The Cuban Classical Ballet of Miami. “tenho a expectativa que o Instituto Dell’arte viabilize um suporte financeiro regular que nos traga maior estabilidade”. O desafio é constante. A CBB mantém uma casa no bairro da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, na qual moram vinte bailarinos de diferente regiões do país. Os integrantes recebem uma ajuda mensal básica e exercitam a coletividade como um dos eixos de sustentação do projeto. Jorge tem claro que dentre os critérios de seleção de novos participantes privilegia-se a afinidade com o grupo. Independente do sotaque, da cor, do nível técnico, quem chega tem que dominar a língua geral do empenho coletivo. Um idioma que não exige nada de complexo, mas o desejo forte de dançar como fator determinante de um tipo de ambição compartilhada. A presença da Companhia Brasileira de Ballet na noite do lançamento oficial do Instituto Dell’arte aponta para essa afinidade, na qual a grande aposta é no engajamento da sociedade de forma mais direta e colaborativa. Como deve ser a vida nas cidades comprometidas com a educação dentro de uma agenda pragmática e inspiradora ao mesmo tempo.

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